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sábado, 29 de dezembro de 2012

UM AMOR DIFERENTE

 
Ela era alta, elegante, finíssima... chegava até a ser frágil. Tão frágil, que cada vez que pousava o pé tinha medo de cair e quebrar-se.

Quando o álcool a preenchia, borbulhava de alegria, sentia-se eufórica, mas ainda mais frágil, mais receosa do tilintar da comemoração inerente à bebida, ao álcool.

Não obstante esse medo e essa fragilidade, o álcool era a única coisa que tinha em comum com ele.

Ele era baixo, atarracado, forte na sua forma de estar, embora a ela, do alto da sua elegância, por vezes ele lhe parecesse um pouco bronco.

Ao contrário dela, ele não se sentia nada frágil, nem tinha medo de cair e quebrar-se, nem quando se sentia plenamente preenchido pelo álcool. Sentia-se equilibrado. Ele era forte!

Apesar das diferenças, o amor pelo álcool, pelas festas, pelas comemorações, unia-os. Esses eventos, eram o ponto fulcral da vida deles, era o que tinham em comum.

Não obstante as diferenças, seguiam felizes, sempre juntos no tilintar das suas vidas. Essa relação diferente mas harmoniosa, deu frutos. Surgiram meia dúzia de criaturas, pequeninas que exalavam doces aromas. Tão doces como os sentimentos que faziam despertar em quem se aproximava deles.

E essa felicidade durou até que um dia os receios dela se materializaram. No auge da festa, na euforia das comemorações, alguém entusiasmado demais, na hora do tchim tchim, bateu a flute no copo de whisky com demasiada força, e eis que ela se desfaria em cacos, não fosse alguém ligeiro de movimentos deitar-lhe a mão e desviá-la de um destino trágico. Muito aliviado, o copo de whisky ao ver a sua amada flute de champanhe ser salva, deitou uma baforada alcoólica, que quase embriagou quem estava próximo dele.

Afinal esta história de amor diferente, mas feliz, é entre uma flute de champanhe e um copo de whisky frutificando nos copinhos de licor.

Idália Henriques
 Esta é a história que concebi para o curso de escrita criativa, que pede uma história acerca de um copo.
A Cris, do blog "O que o meu coração diz" , lançou o desafio, a quem quiser, participar com a história do seu copo. Vamos lá participar pessoal? usem a criatividade e imaginação que eu sei que voces têm de sobra.
U abraço a todos e  um 2013, cheio de harmonia, paz , amor, saúde e cada vez mais amizades sinceras nas vossas vidas. 
 

 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

VAGA-LUME

 
 
imagem aqui
 
VAGA-LUME
Para estar perto de ti
Não queria ser formiguinha
Porque me ias pisar
Ser mosca também não queria
Porque me ias matar
Queria ser um vaga-lume...
Voava em redor de ti
E pela luz que emitia,
Ficavas a olhar para mim...
Encantado por um instante.
E eu voava às voltinhas,
Numa dança estonteante...
Pousava na tua boca
Apenas por um instante
Beijava-te... Beijo longo e doce...
E logo num alvoroço
Desaparecia dali.
Como se eu, um sonho fosse...
 
Idália Henriques
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

VENTO DE SAUDADE

imagem aqui
 
Vento tu que viajas
 Rápido por essas paragens,
 Diz-me vento onde está
 Meu amor...
 Suas mensagens.
 Vento tu que viajas
 Rápido por esse mundo,
 Diz-me vento,
 Onde está
 O amor...
 Doce e profundo.
 Vento tu que viajas,
 Por esse mundo de Deus,
 Diz-me vento onde está
 Meu amor...
 Carinhos seus.
 Vento tu que conheces,
 O mundo, lindo e real,
 Diz-me vento onde está
 Meu amor...
 Doce e leal.
 Vento não me respondes...
 Eu respondo por ti,
 O meu amor já partiu,
 Seu amor eu já perdi.
 
Idália Henriques

domingo, 4 de novembro de 2012

ESTRELA GUIA

 
 
imagem aqui
 
ESTRELA GUIA
 
Quero ser a estrela guia,
Que ilumina o teu caminho.
 Quando estás triste, quero que saibas
Que não caminhas sozinho.
 
Quando a vida te é adversa
E não vês a solução.
 Deixa-me ser o regaço
 Da tua desolação.
 
No auge do desespero,
Nos ais da desilusão.
Vais encontrar sempre abrigo,
Dentro do meu coração.
 
Idália Henriques
 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O AMOR

imagem aqui
Hoje sinto-me nostálgica.

Fui ler Florbela Espanca. Piorou. Poemas maravilhosos, (é a minha poetisa preferida), mas que ainda me deixam com mais saudade do Amor. Esse sentimento que nos faz sentir...

O AMOR

Faz explodir o peito, o coração.

Faz borboletas na barriga,

Faz-nos embargar de emoção.

Deixa-nos com sorriso tolo...

Ao lembrar esse alguém querido

Caminhamos no céu

Voamos na terra

Pairamos entre o sonho e a realidade,

A fantasia parece verdade.

E a verdade irrealidade.

Ficamos entre o ser e o querer,

O amor... esse sentimento...

Sem o qual não podemos viver!

Idália Henriques
 
E agora o poema da Florbela Espanca, que era a ideia inicial, mas depois comecei a divagar.
 
 
Frémito de meu corpo a procurar-te
Frémito de meu corpo a procurar-te,
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar a baunilha e a mel,
Doido anseio dos meus braços a abraçar-te,
 
Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e farte!
 
E vejo-te tão lonje! sinto a tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma
A dizer-me, a cantar que não me amas...
 
E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...
 
Florbela Espanca
 
 
 
 
 

 

 

 

sábado, 22 de setembro de 2012

O VENTO QUE SOPRA DAS FLORES




«Há alguns anos , em Seattle, Washington, vivia um refugiado tibetano de 52 anos de idade.
“Tenzin”, é como vou chama-lo. Foi -lhe diagnosticado como portador de uma forma de linfoma das mais fáceis de curar.
Ele foi internado num hospital e recebeu a primeira dose de quimioterapia.
Mas durante o tratamento, este homem normalmente gentil tornou-se agressivo e irritado; arrancou a agulha intravenosa do seu braço e negou-se a cooperar.
Ele então gritou com as enfermeiras e discutiu com todos ao seu redor.
Os médicos e enfermeiros ficaram desconcertados.
Depois, a esposa de Tenzin falou com o pessoal do hospital.
Ela contou que Tenzin foi um prisioneiro político dos chineses por 17 anos.
Eles mataram sua primeira esposa e ele foi repetidamente torturado e brutalizado durante todo o tempo em que esteve preso.
As normas e regulamentos do hospital, juntamente com a quimioterapia, fez Tenzin recordar todo o sofrimento que passou nas mãos dos chineses.
“Eu sei que vocês querem ajuda-lo,” ela disse, “mas ele se sente torturado pelo tratamento.
Eles fazem com que ele sinta ódio internamente – da mesma maneira que os chineses fizeram ele se sentir.
Ele prefere morrer do que viver com o ódio que ele está sentindo agora.
E, segundo nossas crenças, é muito ruim ter tamanho ódio no coração na hora da morte.
Ele precisa estar apto para rezar e limpar seu coração.”
Assim, o médico dispensou Tenzin e recomendou uma equipe da clínica de repouso para visita-lo em casa.
Uma enfermeira foi encarregada de cuidar dele.
Ela entrou em contacto com um representante da “Amnistia Internacional” para pedir conselhos.
Ele disse que a única forma de sanar o trauma da tortura era “falar a sobre a tortura.
“Essa pessoa perdeu sua confiança na humanidade e sente que a esperança é impossível.”
Mas a enfermeira encorajou Tenzin a falar sobre as suas experiências, ele ergueu suas mãos e fê-la parar.
Ele disse, “Eu preciso aprender a amar de novo se eu quiser curar a minha alma.
Sua tarefa não é fazer perguntas. Sua tarefa é ensinar-me a amar novamente.”
A enfermeira respirou profundamente e perguntou, “E como eu posso fazê-lo amar de novo?”
Tenzin respondeu prontamente, “Sente-se, tome o meu chá e coma meus biscoitos.”
O chá tibetano é um chá preto forte, coberto com manteiga de iaque e sal. Não é fácil de bebe-lo!
Mas, foi o que a enfermeira fez.
Por várias semanas, Tenzin, sua mulher e a enfermeira tomaram juntos o chá.
Também conversaram com os médicos para achar formas de tratar suas dores físicas.
Mas era a sua dor espiritual que deveria ser diminuída.
Cada vez que eu chegava, via Tenzin sentado de pernas cruzadas em sua cama, recitando preces de seus livros.
Com o passar do tempo, sua mulher foi pendurando mais e mais ‘thankas’, bandeirolas budistas coloridas, nas paredes.
Em pouco tempo, o quarto parecia um templo colorido.
Com a chegada da primavera, a enfermeira perguntou o que os tibetanos faziam quando estavam doentes na primavera.
Ele abriu um grande sorriso e disse, “Nós nos sentamos e aspiramos o vento que sopra pelas flores.”
Ela pensou que ele estava a falar poeticamente, mas suas as palavras eram literais.
Ele explicou que os tibetanos fazem isso para serem pulverizados com o pólen das novas flores, carregadas pela brisa.
Eles acreditam que esse pólen é um potente medicamento.
No primeiro momento, encontrar muitas flores parecia um pouco difícil.
Mas, um amigo sugeriu que Tenzin visitasse algumas floriculturas locais.
A enfermeira ligou para o gerente de uma floricultura e explicou-lhe a situação.
Sua reação inicial foi “Você quer o que???”
Mas quando eu expliquei melhor o meu pedido, ele concordou.
Então, no fim de semana seguinte, a enfermeira levou Tenzin, e sua mulher
 e suas provisões para a tarde: chá preto, manteiga, sal, biscoitos, almofadas e livros de preces.
Ela os deixou na floricultura e combinou ir buscá-los pelas 17 horas.
No outro fins de semana, visitamos uma outra floricultura.
E mais outra no terceiro fim de semana.
Na quarta semana, a enfermeira começou a receber convites das floriculturas para Tenzin e sua mulher voltarem novamente.
Um dos gerentes disse, “Nós temos uma nova remessa de nicotianas e lindas fuchsias…ah, sim! E temos belas dafnias.
Eu sei que eles vão adorar o perfume das dafnias! E eu quase me esqueci!
Temos uns novos bancos de jardim que Tenzin e sua esposa vão adorar!”
No mesmo dia, outra floricultura ligou dizendo que eles tinham recebido birutas coloridas para Tenzin saber de que direção o vento estava soprando.
Logo, as floriculturas estavam competindo pelas visitas de Tenzin.
As pessoas começaram a dar atenção ao casal tibetano.
Os empregados arrumavam os móveis de frente para o vento.
Outros traziam água quente para o chá. Alguns fregueses regulares deixavam seus carrinhos de compras próximos do casal.
E no final do verão, Tenzin voltou ao seu médico para novos exames e determinar o desenvolvimento da doença.
Mas o doutor não achou nenhuma evidência de câncer.
Ele surpreendido; disse à Tenzin que ele simplesmente não sabia explicar aquilo.
Tenzin levantou seu dedo e disse,
“Eu sei porque o câncer se foi embora. Ele não podia mais viver num corpo tão cheio de amor.
Quando eu comecei a sentir a compaixão das pessoas da clínica, dos empregados das floriculturas, e todas essas pessoas que queriam saber de mim, eu comecei a mudar por dentro.
Agora, eu me sinto afortunado por ter a oportunidade de ser curado dessa forma.
Doutor, por favor, não acredite que a sua medicina é a única cura.
Às vezes, a compaixão pode também curar um cancro.»
Encontrei aqui
 
 
Amigos/as e seguidores/as, também eu estou a tentar levar um pouco de vento que sopra das flores, um vento de amizade e amor, a uma amiga muito querida que está a sofrer com um cancro. Estou a apoia-la, a ministrar-lhe a medicação e todos os cuidados básicos necessários a quem está a sofrer, a quem está a ver a vida esvair-se sem poder fazer nada que contrarie o destino.
Mulher forte e corajosa, tem lutado até às ultimas forças contra a doença fatal, sem uma queixa, sem revolta, com uma coragem inusitada num corpo tão debilitado pela doença que dia a dia a vai roubando à vida. Exemplo de coragem e abnegação, cada dia com menos forças para continuar esta luta inglória, mas sempre com um sorriso doce nos lábios sem um queixume, vai esperando plácidamente o dia da partida, o dia do "regresso a casa". Amiga generosa, que sempre me ajudou quando precisei. E eu estou com ela, ela precisa de mim e eu vou estar com ela até ao fim, dando-lhe todo o meu amor e fazendo o possivel para que se sinta confortável, tentando minorizar-lhe o sofrimento da forma que me seja possivel.
É por esse motivo amigos, que ando tão afastada dos meus blogs, deixo-vos aqui a explicação, porque entendo que os amigos merecem saber o motivo do nosso afastamento.
Muito obrigada por me lerem, e sempre que me seja possivel vou pondo as vizitinhas em dia e escrevendo algo. 
 
Um beijo carinhoso a quem gosta de mim, e dois a quem não gosta, para amaciar o coração.
 
Idália Henriques

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

COMO FAZER PARA PERDOAR


perdoar
imagem aqui

Como fazer para perdoar
Quando a mágoa é tão grande
Que nos faz chorar, desesperar,
Nos faz sofrer, sem entender
O porquê da injustiça,
O porquê da desilusão,
O porquê da agressão,
Gratuita, sem sentido?
Sei que julgar é cruel,
Mas as palavras de fel
Fazem doer na alma,
Frágil como papel.
 
Mas vem a vontade de perdoar,
Cansados de nos lamentar.
E perdoar é tão sublime...
Os nossos erros redime,
E limpa o nosso caminho.
Tira pedras e calhaus,
Que só nos fazem tropeçar
Na mágoa a todo o momento,
Levando-nos da dor ao lamento.
 
E o nosso coração adoça,
E a mágoa perde a força.
Ficamos de alma lavada...
Renovada...
E depois... já não é nada.
Troca-se a dor p´lo amor,
E a mágoa pelo perdão...
A vida adquire outra cor,
E brilha como o sol de verão.
 
Idália Henriques


sábado, 11 de agosto de 2012

SAUDADES DO AMOR



SAUDADES DO AMOR

Saudade...

Fazia-me sentir leve, eu não andava eu flutuava sobre o chão. Conseguia ver o sol nos dias mais nublados, as noites tinham luz, tudo era iluminado... Expandia-se o coração, não me cabia no peito. Era um fogo que me consumia as entranhas, uma doçura que me inundava o coração, uma alegria que me fazia sentir com o poder de voar. Uma felicidade que irradiava ao meu redor, abrangendo quem se aproximava de mim. A alegria transparecia em meu rosto e todo o meu ser se conectava com o Universo.
Quando amamos, o mundo tem outro brilho. As pedras são cristais, os caminhos são dourados, a brisa é perfumada, as estrelas são diamantes e o céu o espaço onde todo o sentimento se expande.
Depois...

As decepções, uma após outra, vão tirando o brilho do caminho, os cristais vão-se tornando em calhaus, a brisa torna-se um vento gelado, e as estrelas são pontos de luz fosca, num céu que é apenas um espaço imenso, onde tudo se desvanece, a alegria, a ilusão, e a felicidade.
E tudo acaba, e fica a saudade...
Mais intensa do que a saudade que se sente por alguém, é a saudade do amor.
Que saudades do Amor, de sentir o que nos faz sentir vivos!
Não obstante, continuamos a viver, e a saudade vai-se atenuando, ficando mais suave e tornando-se numa doce recordação.
Mas depois de tudo temos legitimidade para dizer _ que saudades do Amor! _ porque já o sentimos.
Pobres daqueles que nunca amaram, nunca sentiram, nunca se decepcionaram e nunca se iludiram, porque esses não viveram.
Viver é amar, e quem não amou não viveu.

Só por hoje... vou sentir a saudade com doçura, como um resquício do amor que vivi...

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

MOURA ENCANTADA

imagem aqui


Moura encantada

Um dia sonhei com um castelo

Eu era uma moura encantada,

Sonhava com teus olhos negros

Esperava apaixonada…



No dia em que tu partiste

Jurámos amor eterno,

Esperei cada vez mais triste,

Passou o Verão e o inverno



Via o sol e via a lua,

Via uma e outra vez,

Via os meses a passar

Esperava mês após mês.



Sonhava com teus olhos negros,

Com teus beijos, doces, quentes,

Entre sonhos e desejos

Soltava suspiros ardentes!



Teus olhos doces e meigos

Entravam nos meus, e assim

Tua alma, minha alma

Fundiam-se dentro de mim.



Boca rubra de mil beijos,

Pétalas de rosa, sobre a minha,

Neste jardim de saudade,

Eu esperava tão sozinha…



Durante o calor da batalha,

Tua alma por mim clamou,

Papoilas fizeram a mortalha

Quando o teu corpo tombou.



Passaram os dias, os anos

A juventude murchou,

Os cabelos branquearam

A minha vida acabou.


Idália Henriques

Tradutor

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