Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta aldeia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta aldeia. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O RAMBO DA MINHA ALDEIA


Imagem aqui

O RAMBO DA MINHA ALDEIA

Ele era homem de muitas palavras, e nem todas verdadeiras.
Talvez para dar algum interesse á vida rotineira do campo, sem grandes histórias, nem surpresas. Todos o conheciam pelas patranhas que gostava de contar.
Como daquela vez, em que disse que tinha visto um camião que levava dez mil quilos de pedras de isqueiro! _Aquelas pedras minúsculas que os isqueiros têm para fazer a faísca que acende o gás.
Gostava de gabar-se de coisas que não tinham acontecido.
Um dia, levou o neto á taberna da aldeia para ver um jogo de futebol na televisão. Naquele tempo, ninguém tinha televisão em casa, existia apenas em alguns estabelecimentos comerciais.
Como ia dizendo, quando chegou á taberna não resistiu a contar mais uma das suas histórias.
_Hoje, quando eu andava a tratar da vinha, andava uma avioneta a espiar-me. Ia e voltava, por cima de mim. Chateei-me, fui a casa buscar a espingarda e quando ela voltou, PUUMMM!!!! Dei-lhe um tiro, passou mesmo rentinho a ela, e quando ela virou de novo, PUMBAAAA!!!! Outro tiro! Eh pá a avioneta até foi a abanar!!!
Os outros que o ouviam, desataram à gargalhada.
_Ó ti Manel, conte outra, com que então acertou numa avioneta com um tiro de caçadeira? Ahahahah, e riam.
_È verdade! Ela andava a chatear-me, estava a espiar-me.
_Ti Manel, isso não pode ser. E porque havia uma avioneta de o espiar?
_É verdade!!! Não vos admito que duvidem de mim... _disse indignado.
_Mentiroso!_ disse o Zé Formiga, que de formiga só tinha o nome, pois era um homem alto e encorpado.
Fez-se silencio. O ti Manel, que não simpatizava com o sujeito, olhou-o com cara de poucos amigos. Ele tinha a mania de o desmentir, quando ele estava a contar as suas histórias.
Palavra puxa palavra, e o ofendido já chamava o outro para a rua, para a pancadaria. _ Vem cá para fora, que eu já te digo quem é mentiroso. _ O zé Formiga, homem alto e jovem, uns vinte anos mais novo que o ti Manel, não se fez de rogado. Não ia ter medo do velhote, pensou. E saiu! Mas mal pôs o pé fora da porta foi atingido na cabeça pela garrafa de cerveja que o ti Manel tinha na mão. Com o impacto inesperado e violento, tombou no chão, desmaiado, com a cabeça coberta de sangue.
_Ó Francelina, chama aí uma ambulância, ou outra coisa qualquer, para levar este gajo ao hospital._ disse o ti Manel para a taberneira com a maior das calmas.
_Avô, vamos embora_ choramingou o neto assustado.
_Caaalma! Primeiro temos que saber o resultado do jogo de futebol. Respondeu o ti Manel com a maior das calmas, entrando de novo na taberna e sentando-se a ver o jogo como se nada se tivesse passado.


Tradutor

Mapa dos Visitantes

Falando Com Os Meus Botões